Arquivo do mês: agosto 2012

Vida contra Morte

Oi, Betânia, com imensa saudade da Carol, do Victor e de você, segue texto-relato, para possível publicação no seu blog. Acho que ele poderá ajudar muita gente, pois o sistema de saúde em nosso país continua uma triste realidade, da qual nós, arquitetos ou não, somos vítimas com  um abração, Wolf

José Wolf,Meu Deus, de novo? De novo, agora desmaiado, sou conduzido por uma ambulância à Emergência de um posto de saúde. Desta vez, foi para o ex-conceituado Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

   Ao desmaiar em plena via pública, fui salvo por amigos anônimos que evitaram que eu batesse com a cabeça na calçada. Depois de receber soro por mais de cinco horas, sou liberado já que a pressão havia voltado ao normal.

    Desta vez, mais escolado, na condição de jornalista e cidadão, pude verificar de perto as condições precárias de nosso sistema de saúde social tão denunciada pela mídia. Que absurdo: faltam leitos, macas, remédios e, inclusive, material para simples curativos. Além disso, o resultado dos exames de laboratório só sairá daqui a um mês, depois, quem sabe, do óbito do paciente.

    Além disso, sobram problemas de acessibilidade e de espaços mal dimensionados, sem a participação de profissionais de Arquitetura. Lembraria, ainda, médicos burocráticos, que nos examinam sem sequer olharem para nosso rosto.  Conforme denunciou o jornal “Agora”, em editorial, .a saúde no Brasil está na UTI”!

   De quarentena, por alguns dias, aproveitei para revisitar algumas páginas do Morte contra Vida”, do teólogo protestante Norman Brown. No livro editado pela “Vozes”, o autor, baseado em teorias freudianas, enfoca o instinto de morte, que nos corrói: em lugar do eros, da alegria e do prazer de viver, o thanatos, a tendência à morte e à destruição, o sentimento de culpa e o apego doentio ao dinheiro como se ele pudesse nos salvar.

    Morte? A propósito, uma das lembranças mais fortes que trago relaciona-se à morte prematura do colega Jesus afogado nas águas verdes da piscina do Seminário, em São Roque, onde estudei. Contudo, na época, era muito jovem e inocente para entender toda a dimensão desse evento, que revelava, na verdade, a fragilidade e vulnerabilidade de nossa existência, aqui e agora.

   Agora, a caminho dos 75 anos, no dia 14 de novembro, enfrento o desafio do tie-brack, à espera do desempate entre a fragilizada  causada pela doença e a esperança da cura ou de um milagre fecundado pela fé!

   Enquanto isso, tento passar a limpo muita coisa de minha vida, na tentativa de não deixá-la transformar-se num efêmero rascunho E agradeço a Deus tanta dádiva que recebi, inclusive, o privilégio de ter participado do Seminário da Arquidiocese de São Paulo, ao qual devo a bagagem cultural e espiritual, que iluminou a minha trajetória profissional. Deo gratias!    José Wolf. Retrovisor, José Wolf,

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