Arquivo da tag: Janete Costa

Meus momentos com Oscar Niemeyer.

Momentos inesquecíveis na vida… 

A primeira vez que conheci o Oscar Niemeyer foi no seu escritório dele no Rio de Janeiro em 1991, como estava hospedada na casa dos Arqºs Acácio Gil Borsoi e Janete Costa tive mais facilidade em marcar uma hora com o meu Mestre. Quem me conhece sabe que mesmo que não tivesse na casa de amigos em comum daria um jeito, até conhece-lo. Você acredita que fiquei uma tarde inteiraaa… eu e o Oscar Niemeyer conversando no seu escritório em Copacabana, como se fossemos velhos amigos, falando sobre Arquitetura, projetos para o futuro, vida pessoal, falamos até do nosso medo em comum claustrofobia, amenidade… Sentia que aquele momento seria histórico e foi mesmo, hoje posso contar para minha filha (que pensa em fazer arquitetura), conheci um dos maiores arquitetos do século. Depois deste primeiro encontro tive varias outras oportunidades de estar com ele… Em palestras, na Faculdade de Mogi, no Prédio da Bienal… (onde trabalhei).

Visita a Obra do Auditório de Ibirapuera, SP

Visita a Obra do Auditório de Ibirapuera, SP

E por ultimo em 2004/2005 as duas vezes que o Oscar Niemeyer visitou a Obra do Auditório do Parque Ibirapuera. Sinto-me orgulhosa, ¨também o acompanhei¨, na época a Prefeita era Marta Suplicy, mas todas as atenções foram para ele. Um amigo Arquiteto Ronaldo Fusco da Construtora OAS, que também nos acompanhou falou: ¨que orgulho ter um profissional de Arquitetura tão admirado e respeitado¨.Auditório do Ibirapuera,SP

Abraço Mestre… Continuará presente na vida de todos através de seus trabalhos e seus ensinamentos. Arqª Betânia Sampaio.

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Cinquentenário da Semana de Arte Moderna

Oi, Betânia, vamos em frente que atrás vem gente. Continue mantendo seu blog como um canal alternativo de comunicação independente entre os arquitetos que estão na contramão da Arquitetura oficial e das revistas do Sul. Com um abração, wolf
 Arquitetura & Realidade

SEMANA QUE ABRIU AS PORTAS PARA A MODERNIDADE BRASILEIRA

Há 90 anos, acontecia em São Paulo, a Grande Semana de Arte Moderna. O evento, segundo os críticos, representou a carta de alforria de independência da cultura brasileira, ao se libertar do domínio cultural europeu, Evento que ocorreu no Teatro Municipal, projeto do engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo de 1911 que, por sinal, acaba de ser revitalizado.Semana de arte moderna

A Semana, na opinião do cineasta e crítico Arnaldo Jabor, acabou ao longo dos tempos, numa espécie de efeitos colaterais, fecundando movimentos e transformações culturais significativos, como a valorização do folclore popular, do barroco mineiro, da  tropicália, do cinema novo e, inclusive, da Arquitetura Moderna brasileira.

A Casa Modernista, de Gregori Warchavchik, de 1923, cujas linhas retas e racionalistas provocaram a ira de arquitetos acadêmicos da época, também só foi possível graças a esse sopro de renovação. Vale ressaltar que o folclore foi supervalorizado pela divina Janete Costa, autora do livro “Viva o povo brasileiro, ao incluir em seus projetos de interiores elementos da cultura popular nordestina. Sem medo de pecar, diria que as bijuterias feitas com fitas e miçangas de nossa amiga Betânia também estariam nessa cadeia de produção criativa.

A Grande Semana, enfim, reuniu expoentes intelectuais, entre os quais, o poeta Mário de Andrade, o principal articulador do evento, autor do emblemático Macunaíma, um herói sem nenhum caráter. Que, na interpretação de muitos, seria a tradução do caráter e índole do povo brasileiro caracterizado pela irreverência, sensualidade, malícia, indolência, malandragem e ingenuidade. Macunaíma, inclusive, foi tema de um filme produzido por Joaquim Pedro de Andrade, com participação do inesquecível Grande Otelo.Tatro municipal

O hit de sucesso “Ai, se eu te pego”, de Michel Teló, seria um reflexo atual disso, assim como foi o “Vira-Vira”, do Mamomas Assassinas. Ou o grito de guerra  “Teeresinhaaa”!do saudoso Chacrinha. Assim, como, foi a canção “Eu vou pra Maracangaia…”,  de Juca Chaves sobre JK e Brasília.. Ou, ainda, os filmes do “caipira “Mazzaropi¨, a exemplo do “Zeca Tatu” e “O corintiano”, que, apesar de marginalizado pela crítica, levou multidões aos cinemas. E, também, as coreografias do genial Paulo Barros, da Unidos da Tijuca, que deverá coreografar a solenidade de abertura da Copa de 2014…

Além de Mário, participaram da Semana, o poeta Menoti del Picchia, Oswald de Andrade, autor do polêmico “Paulicéia desvairada” e da peça “O rei da vela”, encenada, sob a a direção do iconoclasta  Zé Celso, nos anos 70 , pelo teatro Oficina. E Tarsila do Amaral, que depois de sua fase cubista e social, com “Pau brasil” e “Os operários”, inaugurou o movimento antrofágico brasileiro, a tradução mais perfeita, a meu ver, de nosso jeito de ser brasileiro.

Para concluir, invocaria o comentário do crítico Franklin de Oliveira, a respeito do cinquentenário da Semana, registrado na publicação A Grande Semana de Arte Moderna”, coordenada por Yan de Almeida Prado. Ou seja: ¨…a melhor maneira de festejar o cinquentenário (e, agora, os 90 anos) da Semana de Arte Moderna seria criar um novo Modernismo”, frente a um cenário cultural e arquitetônico atual tão carente, refém, ainda, de um mercado imobiliário movido pela especulação e estilos ¨tipo Miami!¨

José Wolf, São Paulo

Pra complementar este texto maravilhoso do meu amigo Wolf, veja os posts da minha amiga Patricia Cassemiro que cita o Chacrinha, um poste que fiz sobre a Janete Costa. 

Bjs Wolf e obrigada por esta leitura deliciosa. Betânia Sampaio

CARNAVAL, grande festa (ainda) NÃO é para todos.

Gde. Betânia, não sei por que, mas você, apesar de não ser uma Carmem Miranda, tem a  cara de Carnaval, da alegria. Assim, estou enviando este texto à espera de seu texto sobre o Carnaval do Recife e Olinda. Que, por sinal, estão sendo procurados pelos turistas como opção, segundo o noticiário da CBN, que cancelaram Salvador devido aos últimos acontecimentos de violência e da greve de policiais. com um abração e muito axé do Wolf, o provocador

Arquitetura & realidade

   Classificado pelo ex-técnico da Seleção Brasileira, nos anos 70, João Saldanha, de “o grande espetáculo nacional”, o futebol vem marcando, ao lado do Carnaval, o calendário litúrgico de eventos esportivos e festivos realizados anualmente no pais, envolvendo torcidas fanáticas, como a do Corinthians, Flamengo e o Sport Club, de Recife.

  Num ensaio intitulado “Cinema e futebol: uma história em dois campos”, que recebeu menção honrosa num concurso da antiga Embrafilme, observei que em qualquer povoado brasileiro, há sempre, além de uma capelinha ou igreja, um campinho de terra batida improvisado de futebol. Onde, meninos da periferia sonham, por meio de seus dribles e chutes, tornarem-se ídolos, a exemplo de um Ronaldo e, agora, de um Neymar, cujos passes lembram os de um exímio bailarino.

    O futebol, sem dúvida, tem sido um fator fundamental de inclusão social para muitos jovens carentes, principalmente de origem negra num país de tantas exclusões e carências.

    O tema, enfim, foi pouco explorado pelo cinema, mas lembraria um clássico: “Garrincha, alegria do povo”, do cineasta Joaquim Pedro de Andrade , que tive o privilégio de entrevistar , nos tempos de repórter do “Jornal do Brasil”, no Rio.

    O futebol foi motivo de projetos arquitetônicos magníficos de estádios, a exemplo do estádio do Morumbi, em São Paulo,  projetado por Vilanova Artigas.

    Aliás, o futebol, é um tema do momento em função de estádios que, em meio a suspeitas de obras superfaturadas, estão sendo construídos ou reciclados para a Copa de 2014.

     Vale lembrar que, ao lado do futebol, o grande evento, que move grande parte da população afro-brasileira é, sem dúvida, o Carnaval.

     Evento, por sinal, que mereceu do arquiteto Oscar Niemeyer um verdadeiro templo. Ou seja: o Sambódromo do Rio de Janeiro, cujo Arco da Apoteose teria sido inspirado nas curvas de um sensual biquíni das mulatas cariocas. Mais sobre o assunto no post, ARQUITETURA AINDA NÃO APRENDEU A SAMBAR!

     No livro “Carnaval Ijexá”, o antropólogo Antonio Risério, destaca a diferença entre o Carnaval da Bahia e do Sul. Tema, por sinal, pouco explorado pela Arquitetura.

     No carnaval da Bahia ou Olinda, prevalece a presença da raça negra, do frevo e do afoxé enquanto, no Sul, a do branco.  Além disso, um traduz um espetáculo de marketing, tipo Globo Beleza, dos bumbuns e seios de silicone, enquanto o outro, a alegria espontânea popular, da magia e da fantasia. Como a do Homem da Meia-noite, de Olinda, que completa 80 anos de existência.Olinda

A propósito, em Olinda, certa vez, eu vi de frente, na sacada da casa da Janete e Acácio Gil Borsoi, na Rua do Amparo,  a alegria da multidão diante da passagem do Homem da Meia-Noite. Mas ao pipocar o Carnaval, entre os tambores tribais de Edwin e o grito de guerra do feérico Alceu Valença, autor dos clássicos “Rubi” e “7 desejos”,  eu fugi da folia  feito gato escaldado com medo de água fria.

     Aliás, Betânia, até parece que a música “La belle de jour” foi composta pra você,

 Eu lembraria, ainda, que um dia, um turista inglês atrevido, decidiu assistir ao Carnaval de São Paulo. Decepcionado, confessou: – ah, preferia estar na Inglaterra, contemplando, na minha fazenda, o desfile de meu gado do que ver esta pobreza! Com certeza, agora, pensaria diferente, pois hoje as Escolas de São Paulo estão no mesmo patamar de excelência às do Rio..

   Outro turista estrangeiro, depois de assistir ao desfile das Escolas de Samba, no Rio, reagiu: Good! Quase fui atropelado pelo bumbum-torpedo de uma mulata!.

    Ao finalizar, diria, porém: enquanto persistirem casos de corrupção política, a exemplo até do Ministério das Cidades, a expulsão de centenas de famílias de seus abrigos em nome da discutível reintegração de posse, favelas e o desabamento de edifícios, com vítimas,  por irresponsabilidade técnica e profissional, devemos concordar com a atriz Glória Pires que “ainda não dá pra ser feliz”. Ou que, infelizmente, a festa ainda não é de todos, conforme se desejaria.  José Wolf

Wolf, muito obrigada fiquei *lisonjeada com sua lembrança. bjs Betânia (*Sentir-se bem querido por alguma atitude alheia). Respondi: Memorias do meus carnavais.

Sociedade dos Poetas Mortos. ETERNOS

Arquitetura & memória

               Aproveitando o gancho da repercussão na mídia da morte da efêmera Amy Winehouse, perguntaria: por que os jovens estão morrendo ou se matando tão cedo?

      Sob outro viés de reflexão temática, na contramão dessa indagação, lembraria arquitetos que também foram jovens e chegaram à maior idade, deixando, ao morrer, lições inesquecíveis a exemplo de personagens do filme do diretor australiano Peter WeirSociedade dos poetas mortos”, cuja epígrafe carpe diem nos aconselha a viver a dor e a alegria de cada dia.

  Ao entrevistar Oscar Niemeyer, nos anos 80, para a revista AU, ele comentou, recordando-se de antigos companheiros: “quanto mais vivermos, mais amigos veremos partir…”

   O sábio comentário reacendeu minha memória, quando, recentemente, recebi a notícia sobre a morte dos arquitetos João W. Toscano e Fábio Penteado, dois expoentes da Arquitetura Moderna paulistana, que tive o privilégio de conhecer e entrevistá-los, na minha condição de jornalista.

   Numa entrevista para o Boletim impresso do IAB/SP, Fábio Penteado enfatizou o momento difícil que enfrentou ao assumir a direção do IAB, em 1966, em plena ditadura militar. Quando, a duras penas, lutou pela liberdade de expressão dos arquitetos.

   Quanto ao Toscano, eu mantinha uma relação especial, pelo fato dele ter nascido em Itu e eu em Salto, duas cidades próximas do interior paulista. Itu, a cidade do sapo, um anfíbio persistente, onde tudo é grande. E Salto, a cidade do mandi, peixe de água doce que, ao sair da água, costuma emitir um som semelhante a um choro, como a  protestar contra a morte.

    A partir, enfim, da notícia, me recordei de vários arquitetos-icone que já partiram e que conheci, ao longo de minha saga profissional.

     Pra começar: o mestre Lúcio Costa, que ao lado da jornalista Lívia Pedreira, atual editora da revista “Arquitetura & Construção”, da Editora Abril, tive o privilégio de entrevistarlucio costa, Betania Sampaio

     Surpreso, diante de tantos livros e revistas, inclusive exemplares da revista AU, espalhados  pelo chão de seu apartamento no bairro do Leblon, Rio, provoquei:

–       Oi, mestre, quanta cultura!

–       Cultura? É tudo lixo! .

      Aliás, o idealizador do Plano Piloto de Brasília, diagramada em forma das asas de um avião, foi quem enviou um simpático bilhete manuscrito para a Redação, elogiando o antigo logotipo em verde e azul da revista AU. Título registrado em  Marcas e Patentes pelo empresário Sérgio Pìni, quando seu filho, Mario Sérgio Pini, concluía o curso de Arquitetura na FAU/USP, nos anos 80.

Betania Sampaio

Oscar Niemeyer e Lucio Costa

 Vale ressaltar: ao surgir, em 85, por um equívoco abençoado da jornalista Haifa Y. Sabbag, a publicação que deveria ser apenas uma separata sobre o XV Congresso da UIA no Cairo, Egito, revolucionou o mercado editorial brasileiro especializado em Arquitetura e Urbanismo.

   Além de Lúcio, invocaria outros poetas arquitetos inesquecíveis. A começar: o imortal Oswaldo Bratke. Que, certo dia, depois de almoçar a seu lado, de sua esposa e de seu filho Carlos Brakte, em sua residência do Morumbi, me conduziu, na altura de seus 80 e tantos  anos, até a Editora Pini, dirigindo seu elegante Galaxie.

    Outro: Abrahão Sanovicz, o “China”, que certo dia defendeu este repórter, quando ao gravar um debate polêmico entre Paulo Mendes da Rocha e Joaquim Guedes, não agradou o querido mestre  Paulinho.

     Por sinal, o grande urbanista e polêmico Joaquim Guedes, eleito presidente do IAB/SP, em 2007, com o apoio maciço dos arquitetos do Interior paulista, morreu atropelado no dia 28 de julho de 2008, em circunstâncias enigmáticas.

A eles, acrescentaria, in memoriam, outros nomes. A exemplo do condotiere Vilanova Artigas, formador de tantas gerações de arquitetos paulistas, cuja última entrevista foi concedida, então, à sensível repórter Livia Pedreira.

ARQUITETO, betania sampaio

Acacio Gil Borsoi

 Outros: os pernambucanos e amigos ex core, entre os quais,  Acácio Gil Borsoi, Alexandre Castro e Silva, Vital Pessoa, Ricardo Gama e Janete Costa. Autora do livro “Viva o povo brasileiro”, a divina Janete dignificou o artesanato popular nordestino.
Arquiteta Betania Sampaio
Tem um Post sobre o casal  Acácio Gil Borsoi e Janete Costa

    Além, é claro, das militantes Melânia Forest e Jussara Dantas, cuja tumba minimalista, em João Pessoa, foi projetada pelo promissor Oliveira Jr.

    Não poderia me esquecer do visionário Sérgio Bernardes, do instigante Éolo Maia e de Álvaro Hardy (Veveco), um excelente arquiteto, além de mestre-cuca de mão cheia, conforme lembra Zeca Brandão, que certa vez reuniu um grupo de arquitetos mineiros para um “banquete de babete” , em Recife.

   E, também, lembraria de Rubens Gil de Camilo, afogado ao tentar salvar um amigo num rio do pantanal. Conheci Gil,  quando fui fazer uma reportagem sobre o belo edifício da TV Cultura projetada pelo brilhante Roberto Montezuma, em Campo Grande..

    Da lista dos poetas do Além, não poderia excluir o nome da meiga jornalista Laila Y. Massuh, correspondente da AU na América Latina, revelando-nos arquitetos emblemáticos, como os argentinos Clorindo Testa e Miguel Roca, incluindo os críticos Jorge Glusberg  e Marina Weisman etc.

Arqª Betânia Sampaio

MASP-SP Lina Bo Bardi, Foto Cristiano Mascaro

Além disso, como se esquecer da diva Lina Bo Bardi e do cavaleiro Miguel Forte, com quem me cruzei, na última vez numa cadeira de rodas,  a exemplo de Zanine Caldas?  Ou do militante Carlos Maximiliano Fayet, defensor incansável, ao lado de Jose Carlos Ribeiro (Zeca) pela aprovação do CAU, atualmente em processo de estruturação. Aleluia!

Arquiteta Betania Sampaio

Lina Bo Bardi, foto Thomas Scheierz

    Ao concluir, recorro a uma anedota contada por uma criança no quadro “Talentos jovens kids” do programa do apresentador Raul Gil. Ou seja: a professora pergunta a seus alunos o que desejariam que as pessoas dissessem no velório de cada um.

–       Ah, que fui um grande médico, um grande arquiteto etc.

–       E você, Joãozinho?

–        Olhem: ele está se mexendo!

    Com certeza, seria o que todos os que se foram e os que hão de ir desejariam. Enquanto isso, aos que vivem o tempo de prorrogação, como diria o professor Alberto Xavier, carpe diem: viva cada dia, cada momento, pois a vida não tem um plano B. Amém!

 José Wolf 

Betânia Sampaio,

Artesanato na vida da Janete Costa

¨Janete Costa, Autora do livro “Viva o povo brasileiro, A divina Janete dignificou o artesanato popular nordestino¨     Jornalista José Wolf

Preparando um email para divulgar a palestra Acácio Gil Bórsoi e Janete Costa para meu Amigo Renan Novais da SUTACO, superintendência do trabalho artesanal nas comunidades (na qual sou associada), achei este vídeo.

Se quiser saber mais tem um Post sobre o casal  Acácio Gil Borsoi e Janete Costa

Arqª Betânia Sampaio 

Betânia Sampaio em entrevista

Para o site:   Como Você se Inspira?

Em 15 de março de 2011  

SOU PASSIONAL E QUANDO NECESSÁRIO SOU RACIONAL

Entrevista com Arquiteta, Artista Plástica, Florista, Designer e Artesã Betânia Sampaio

1. CVI-  Betânia, sabemos que você cresceu no Recife e que veio para São Paulo há 18 anos. É Arquiteta, designer e artesã, mas conte um pouco mais. Quem é a Betânia? O que sente a Betânia?

BS- Diria que sou misturada, com pai alagoano e mãe pernambucana. Aos nove anos, meus pais mudaram-se para Recife e, assim, decidi assumir a condição de uma pernambucana. Mas, em 1992, vim para São Paulo, trabalhar como Arquiteta e Designer em 2002 criei uma * marca para decoração de eventos, ou seja, por dois anos tive uma loja nos jardins trabalhando como florista em 2004 novas descobertas, São Paulo me abriu novas portas, comecei um trabalho enfocado na confecção de bijuterias e adereços, incluindo: colares, pulseiras, broches, fivelas, cintos, acessórios em geral, alem de continuar com Arquitetura…Logo, betania sampaio flores

Sou passional e quando necessário sou racional. Ainda quero ser mais livre e criativa que sou agora, nunca considero estar pronta, gosto de testar, experimentar. Todos os novos desafios me encantam, deve ser por isso que gosto de fazer varias coisas.

Acessorios, betania

Betânia Sampaio, Echarp mini rosa (foto: Janete Longo)

Assim, a cada dia, imagino uma nova peça que possa fazer alguém brilhar e fortalecer sua auto-estima!

                                                       *     *     *

2. CVI-  Como, quando e onde a arte surgiu em sua vida? Quais transformações ela trouxe?

BS- Tudo começou, de repente. Quando estava livre, durante as férias, em Recife, onde me formei, tentava fazer e inventar alguma coisa, até que com ajuda de minha mãe Lúcia comecei a confeccionar a mão algumas bijuterias artesanais. Quando voltei para São Paulo, ao freqüentar shoppings, exibindo as peças que havia produzido, as pessoas começaram a me perguntar onde havia comprado tal pulseira, tal colar ou bracelete.

Além disso, ao levar minha filha Carolina para a escola, as mães de outras crianças começaram a se interessar pelas peças que eu exibia, a ponto de eu precisar me desfazer de colares etc que estava usando, para atender às pessoas.

Com o tempo, enfim, a procura foi tão grande, que decidi investir nesse segmento, junto com Arquitetura. Cheguei, inclusive, a produzir peças exclusivas para a loja Daslu, Hoje as peças são comercializadas na Loja ShopMAM no Museu de Arte Moderna de São Paulo – Parque Ibirapuera, CCBB, Centro cultural Banco do Brasil e Daqui Dacola.

                                                     *      *      *

3. CVI- Fale um pouco de seus projetos e planos. Como vê seu trabalho em um futuro próximo?

BS-  Sobre o futuro, gostaria de desenvolver os acessórios para um estilista ou/e uma marca de roupas e participar do SPFW, este evento me fascina pela liberdade de criação, poderia desenvolver peças, nesta ocasião poderia ousar.

COLEÇÃO MINI ROSA

Outros desejos: Queria escrever um livro (ou vários) e ser designer de jóias… Trabalhar com peças em ouro.

                                                      *      *      *

4. CVI- Suas criações são encantadoras, charmosas, coloridas e cheias de personalidade. Como você se inspira para criá-las?

BS- Gosto de tudo que me causa emoção. Tenho, por exemplo, uma girafa de sucata feita de metal, que comprei numa feirinha do Recife, cujo nome do artesão não consegui descobrir.

Betânia Sampaio

Quanto aos artistas que admiro, citaria o paisagista Burle Marx, autor do design do fantástico calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, cujo design se tornou uma das marcas do Rio. Além dele, os irmãos Campana, premiados tantas vezes no Salão Internacional de Design de Milão, com suas famosas poltronas com estrutura de aço, cordas plásticas, revestimento de tecido e cores fortes  A propósito, certo dia, Patrícia Naka que trabalhava no MAM de São Paulo, viu uma peça minha e comentou: – Oi, Betânia olha, seu colar semente se  parece com a mesa de borracha produzida pelos irmãos Campana!. É claro, que me emocionei, na época havia uma exposição no MAM com os moveis dos Campanas, então com outro olhar acabei fazendo uma leitura diferente (de arquiteta para artesã) e descobri que tinha muito a ver com meu trabalho, pois são pessoas sem medo de democratizar seus conhecimentos e experiências, e de inventar com a simplicidade dos matérias. 

Burle Marx, Artista Plástico e Paisagista 

Betânia Sampaio

A partir do coleção Semente (abaixo), nasceu a coleção Semente juntas depois de observar as peças em borracha dos Campanas, tem mais detalhes no post: Irmãos Campanas também me inspira

Irmãos Campanas, Fernando e Humberto, Arquitetos e DesignerFernando e Humberto Campana

Mas, não poderia de me esquecer de dois mestres, que marcaram também minha formação: o mestre Acácio Gil Borsoi e sua companheira, Janete Costa, que tanto valorizou o artesanato popular, com seu livro “Viva o povo brasileiro”. Borsoi, que faleceu no ano passado, veio do Rio para lecionar na Universidade Federal de Pernambuco e acabou influenciando várias gerações de arquitetos do Nordeste, ao defender uma arquitetura marcada pelos detalhes da composição e pelo respeito à natureza.

Aliás, em meu trabalho, conto, também, com a interação de meus filhos: a Carolina, com suas idéias e sugestões incríveis  e Victor, mais pragmático, com seus textos corretos, pois lê muito, e contribui no blog gate04.com, falando de esporte.

E é claro que também me inspiro nos conhecimentos que tenho com arquitetura, onde tive maiores ensinamentos técnicos e intelectuais: cor, escala, volumetria, proporção, estória da arte…

                                                       *      *      *

5. CVI- Qual você acredita ser a relação entre o criar, o inovar e praticar a sustentabilidade? Como a criatividade e a arte podem, em sua opinião, contribuir para um mundo melhor?

BS – Eu não uso isso como bandeira, como rotulo, só porque é o assunto atual, acredito que hoje temos uma nova consciência do lixo que produzimos e estamos aprendendo principalmente com as novas gerações, meus filhos de 10 e 12 anos têm uma visão, uma preocupação com o planeta que nunca tive, mas o que posso dizer em relação ao meu trabalho é que é artesanal, ou seja, ele é feito com as mãos, sem o uso de maquinas, as peças não são industrializada, um resgate, transformação de materiais simples, isto já é sustentabilidade.

Betânia Sampaio

                                                        *     *      *

CVI- Comentários Extras e Sugestões:

6. CVI- Qual a diferença e e qual a semelhança entre a Betânia Sampaio Arquiteta e a Betânia Sampaio Florista, Designer de moveis e Artesã?Como explicar as diferentes áreas de atuação? E como sua bagagem de Arquiteta ajudou nos trabalhos desenvolvidos com os acessórios?

Importo-me sempre com o conjunto, sou detalhista, minuciosa, busco referencias, desenvolvo as embalagens de acordo com a peça e com a loja que vai ser comercializada. Tenho maravilhosas profissionais que fazem parte da minha equipe, Arquiteta e Comunicadora Visual Patricia Lima responsável pelo logo para cada coleção, a Jornalista e assessora de Imprensa Patricia Cassemiro, orienta e coordena os textos, inclusive do certificado de garantia, a Florista e Artesã Lucia Bezerra, envolvida nas soluções  com os acabamento, ou seja, as vezes quero uma ¨coisa¨ (desenho) e ela ¨coitada¨ sofre para executar e viabilizar, a Fotografa Caca Bratke, conheci em 2004 quando fazia fotos da Loja Betânia Sampaio Flores para Revista Vogue e a Fotografa Janete Longo

Então, Arquitetura é tudo isso, cores, detalhes, volume, proporção, tem o mesmo fundamento dos acessórios em diferente escala, ¨Função e Estética ¨.

Betânia Sampaio Acessorios

Embalagem

Gostaria de citar a contribuição para comercialização dos Acessórios Betânia Sampaio, Órgão do Governo do Estado de SP SUTACO, (Superintendência do Trabalho Artesanal das Comunidades), que tenho como orientador nas minha duvidas ¨burocraticas¨ e desenvolvimento de novos negócios, o  Ouvidor Renan Novais (Foto abaixo) no qual tenho um carinho especial.  

Renan Novais, Carol Sampaio

Loja da SUTACO, Renan e Carol

                                                          *      *      * 

7. CVI- Houve alguém que te influenciou de maneira especial?

BS- Na verdade, não acredito em influência, Conforme me ensinou Borsoi, ao decidir vir para São Paulo, para trabalhar no escritório de Giancarlo Gasperini, um dos mais conceituados de São Paulo disse: – Betânia, somos todos iguais em qualquer lugar do mundo! Com as mesmas emoções: amor, medo tristeza, saudade… Mas, não podemos nos esquecer da bagagem que carregamos e que adquirimos ao longo do tempo.

Livros de flores, Campanas, Bijus

                                                        *       *       * 

8. CVI- Antes de concluir, que materiais você costuma utilizar na confecção de suas peças?

BS- Bem, as fitas e as linhas são a base de tudo, além das miçangas coloridas. Enfim, procuro trabalhar com material menos industrializado possível. Além disso, é necessário ressaltar que para um trabalho artesanal o primordial é a qualidade, o acabamento, o jogo das cores, o equilíbrio, a proporção, princípios que por sinal  aprendi ao estudar Arquitetura.

Veja, todas minhas coleções, a começar pela coleção Bem-me-quer 2004, mini-rosa 2007 ou semente 2008 e semente juntas 2009 são originais, individuais e têm nome de flores, já que trabalhei, também, como florista, quando mantinha uma loja chamada Betânia Sampaio Flores, que se tornou muito conhecida. E, inclusive, desenvolvi uma linha de móveis, com nomes de flores, para a loja ETNA. Este o motivo dos Acessorios Betânia Sampaio também serem batizados com nomes de flores.

Acessorios Betania Sampaio

                                                         *      *     *

(Copydesk de José Wolf da entrevista realizada pela COMO VC SE INSPIRA  com a multi-profissional Betânia Sampaio) 

Contato: 

betaniasampaio@uol.com.br

www.betaniasampaio.com

www.gate04.com 

@sampaiobetania

Entrevista ao site sobre alguns talentos artísticos e criações foi reproduzi acima, pois temporariamente o site Como você se inspira? Esta em manutenção