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Faleceu José Wolf

Aos amigos do Wolf que querem saber detalhes… Abaixo o comunicado do Mario Pini.Jornalista José Wolf,

¨Minhas queridas, perdemos o Wolf … No domingo passado, ele sofreu o 2º infarto. Somente conseguiu socorro, alcançando o telefone e chamando a vizinha, um dia depois (!!!). Essa mesma vizinha me ligou na quarta-feira (21), informando sobre os acontecimentos e o pedido dele desejando me ver … Na Santa Casa, no horário das visitas, me encontrei com o Paulo Sophia, ex-presidente do IAB SP, que estava sempre próximo, ajudando-o de todas as formas. Não pudemos ter o último contato com o Wolf, que pelo fato de apresentar um quadro mais crítico,  já estava sedado, respirando com ajuda de ventilação mecânica. Hoje de manhã, ele teve nova parada cardíaca e não resistiu. O corpo seguirá para Salto, onde será enterrado. A vizinha, dona Andréia da Mota, fará rezar uma missa em São Paulo, para encontro dos seus amigos. Seremos avisados. Abraços. MSP¨

Mario Sergio Pini, Revista Au

Fiz um post para meu amigo, segue o link tem mais sobre o Wolf: Meu amigo, José Wolf. Bjs Wolf, até um dia Betânia Sampaio

No Blog Gate 4 tem muitos post escrito por Wolf: Textos do Wolf no Gate4  e no Blog Betânia Sampaio os últimos pots: Texto no Blog Betânia Sampaio (click encima do tema que vc ira ver todos)

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Meu amigo, José Wolf

Wolf, meu grande amigo… Faleceu ontem dia 23 de novembro de 2012

Não quero falar de seu currículo invejável, quero falar de um amigo que conheci em Recife em 1988, convidado pela ¨nossa turma¨ da FAU-PE para cobrir um seminário para Revista AU. No nordeste Wolf conseguiu construir amizades realmente sinceras e descobri inúmeros talentos da Arquitetura… (palavras dele)

Apaixonou-se pela nossa cidade, mas do que isso pelo carinho e respeito que todos demonstravam por ele. Wolf com a sua sensibilidade encontrou nas pessoas o que mais precisava, reconhecimento e carinho.

O que fazia Wolf ser feliz era amor pela vida, dizia sempre: ¨estou vivo mulherrr¨. Era muito intenso amava os amigos, a arquitetura, o jornalismo, a Deus…

Wolf gostava ¨da vida e das pessoas¨, nunca vi queixando-se de nada, morava numa região perigosa, no centro da cidade de SP, porque queria a vivencia com o mundo real, como costumava dizer.

Pra mim esta muito difícil escrever sobre o Wolf, me vem tantas lembranças… Quando vim morar em São Paulo em 1991 ele acompanhou a minha trajetória E caso eu queira colocar começo, meio e fim nas varias historias vividas ao lado dele talvez escrevesse um livro, então pra você que teve o prazer de conhecê-lo e que ama o Wolf você… Tereza Simis, Marco Antonio Borsoi, Zeca Brandão, Expedito Arruda, Roberto Montezuma, Vitoria Regis, Oliveira Junior…  Meninos de Olinda… Também iram lembrar alguns momentos com esta pessoa tão iluminada.José Wolf, Jornalista

Ele fez vários textos pra meu blog gate4 e Betânia Sampaio e vive com ele vários momentos felizes como: Feijoada da Betânia.

Os dois post são bem significativos, expressam bem o momento que ele estava passando, caso queira acessar estão abaixo. (click encima do tema)

Vida contra a morte

Reflexões na UTI de um pronto socorro

Terceira idade pede passagem

Post de hoje: Faleceu José Wolf

Vá em paz meu amigo José Wolf e até um dia. bjs Betânia Sampaio

No Blog Gate 4 tem muitos post escrito por Wolf: Textos do Wolf no Gate4  e no Blog Betânia Sampaio os últimos pots: Texto no Blog Betânia Sampaio (click encima do tema que vc ira ver todos)

Vida contra Morte

Oi, Betânia, com imensa saudade da Carol, do Victor e de você, segue texto-relato, para possível publicação no seu blog. Acho que ele poderá ajudar muita gente, pois o sistema de saúde em nosso país continua uma triste realidade, da qual nós, arquitetos ou não, somos vítimas com  um abração, Wolf

José Wolf,Meu Deus, de novo? De novo, agora desmaiado, sou conduzido por uma ambulância à Emergência de um posto de saúde. Desta vez, foi para o ex-conceituado Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

   Ao desmaiar em plena via pública, fui salvo por amigos anônimos que evitaram que eu batesse com a cabeça na calçada. Depois de receber soro por mais de cinco horas, sou liberado já que a pressão havia voltado ao normal.

    Desta vez, mais escolado, na condição de jornalista e cidadão, pude verificar de perto as condições precárias de nosso sistema de saúde social tão denunciada pela mídia. Que absurdo: faltam leitos, macas, remédios e, inclusive, material para simples curativos. Além disso, o resultado dos exames de laboratório só sairá daqui a um mês, depois, quem sabe, do óbito do paciente.

    Além disso, sobram problemas de acessibilidade e de espaços mal dimensionados, sem a participação de profissionais de Arquitetura. Lembraria, ainda, médicos burocráticos, que nos examinam sem sequer olharem para nosso rosto.  Conforme denunciou o jornal “Agora”, em editorial, .a saúde no Brasil está na UTI”!

   De quarentena, por alguns dias, aproveitei para revisitar algumas páginas do Morte contra Vida”, do teólogo protestante Norman Brown. No livro editado pela “Vozes”, o autor, baseado em teorias freudianas, enfoca o instinto de morte, que nos corrói: em lugar do eros, da alegria e do prazer de viver, o thanatos, a tendência à morte e à destruição, o sentimento de culpa e o apego doentio ao dinheiro como se ele pudesse nos salvar.

    Morte? A propósito, uma das lembranças mais fortes que trago relaciona-se à morte prematura do colega Jesus afogado nas águas verdes da piscina do Seminário, em São Roque, onde estudei. Contudo, na época, era muito jovem e inocente para entender toda a dimensão desse evento, que revelava, na verdade, a fragilidade e vulnerabilidade de nossa existência, aqui e agora.

   Agora, a caminho dos 75 anos, no dia 14 de novembro, enfrento o desafio do tie-brack, à espera do desempate entre a fragilizada  causada pela doença e a esperança da cura ou de um milagre fecundado pela fé!

   Enquanto isso, tento passar a limpo muita coisa de minha vida, na tentativa de não deixá-la transformar-se num efêmero rascunho E agradeço a Deus tanta dádiva que recebi, inclusive, o privilégio de ter participado do Seminário da Arquidiocese de São Paulo, ao qual devo a bagagem cultural e espiritual, que iluminou a minha trajetória profissional. Deo gratias!    José Wolf. Retrovisor, José Wolf,

A hora e a vez de uma CONSCIÊNCIA AMBIENTAL!

Arquiteta-designer Betânia, em homenagem à sua filha Carol, que vem demonstrando grande sensibilidade em relação natureza, segue este texto para seu blog. J.Wolfrio + 20

Arquitetura & meio ambiente

(rumo à Rio+20)

Ponto de partida – Emocionado, o astronauta soviético, Yuri Gagarin, em sua viagem espacial, em 62, proclamava ao mundo:  a terra é azul”. Mas, será, que nosso planeta, vítima de tantos desastres ecológicos e do efeito estufa em consequência de atos de desrespeito à natureza e ao meio ambiente continua azul?

Desafio – Para mantê-la azul, evitando que ela  se transforme cinza, ambientalistas, arquitetos, ecologistas, integrantes de ONG`s, cientistas estão se engajando numa verdadeira cruzada verde em defesa do meio ambiente E da natureza.rio+20

            Ao mesmo tempo, iniciativas e programas oficiais incentivados pela UNESCO se ampliam na busca de respostas e soluções para um mundo mais sustentável, por meio de encontros e conferências, a exemplo do Rio+20, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho.

   Utopia? Em matéria de capa, a revista Planeta (número 474), sob o título “Rio + 20: o bonde da utopia” questiona:

  “o que é sonho e o que pode ser real na Conferência global sobre meio ambiente, que a ONU promove no Rio de Janeiro”?

Rio + 20

  A conferência, que deverá reunir centenas de chefes de Estado, representantes de empresas, de agências multidisciplinares e de entidades civis,  colocará em pauta, a princípio, dois grandes temas. Ou seja: a busca de soluções para uma economia verde socialmente inclusiva e a transformação da ONU numa Organização Mundial do Meio Ambiente – Omna.

Constatação – Sustentabilidade? Desenvolvimento sustentável, cidade sustentável, arquitetura sustentável, agronegócio sustentável etc.

      A palavra, não dá pra negar, transformou-se na bola da vez dos debates temáticos do momento. Céticos, alguns torcem o nariz, duvidando dos resultados práticos dessa corrente, a exemplo de outras ou modismos do passado que acabaram no esquecimento.

   De qualquer forma, já podemos observar mudanças de hábitos e comportamento quanto ao meio ambiente em nosso cotidiano, como a questão do lixo reciclável, da substituição dos sacos plásticos por sacolas retornáveis, o reuso da água potável, a coleta seletiva do lixo eletrônico (pilhas, computadores, eletrodomésticos), a substituição do automóvel pela bicicleta, a arborização de áreas públicas etc.

    Questão. Até que ponto a Arquitetura pode contribuir para a qualidade de vida ambiental do planeta?

     Até a revista AU (número 212), que andava tão distante de nossa realidade brasileira e, em particular, da realidade do Nordeste,  numa edição especial sobre arquitetura e sustentabilidade, enfocou o tema. Na seção “Fato & Opinião”, perguntou a vários arquitetos: “Se a boa arquitetura pressupõe critérios de  sustentabilidade, por que algumas das maiores obras de referência da arquitetura brasileira não são exemplos de eficiência ambiental?

     Sempre criterioso, o arquiteto Miguel Pereira ponderou e advertiu: é preciso ter cuidado ao fazer definições, argumentando:

     -“ As maiores obras da Arquitetura brasileira são exemplos do bom uso de materiais, da preocupação com a orientação solar e ventilação (nesse ponto, os arquitetos do Nordeste, com certeza, dão um show), da valorização cultural, do respeito ao espaço urbano e do conforto do usuário”. E cita como exemplo a obra de João Figueiras, o Lelé, ao qual poderiam ser agregados outros exemplos, incluindo projetos de Severiano Porto e dos saudosos Zanine Caldas, Lina Bo Bardi e Lúcio Costa.

    O debate, enfim, está aberto. Participe dele, também, com sua opinião e sugestão.   José Wolf

Aos 52, BRASÍLIA chega à Menopausa

Oi, Betânia, conforme combinamos durante o magnífico almoço preparado por sua mãe Lúcia, com sabor e carinho nordestino, na Sexta-feira Santa, segue novo texto para seu aretado blog sobre Brasília. Wolf

   Oi, Betânia, para começar, me responda: o que significou Brasília na sua formação de arquiteta nordestina?

        Aos 52, BRASÍLIA chega à Menopausa

     Quem diria! A jovem cidade modernista, planejada por Lúcio Costa em forma de duas asas de avião (Asa Norte e Asa Sul) com a participação de Oscar Niemeyer, responsável pelos principais projetos de Arquitetura, como a bela Catedral, o Congresso Nacional ou o Palácio da Alvorada etc., que encantou o mundo nos anos 60, celebra no dia 21 de abril 52 anos de existência cercada por rugas e cicatrizes, apesar de toda a maquiagem.Catedral de BrasiliaRecentemente, uma comissão de peritos da Unesco visitou a nossa capital federal para fazer um diagnóstico sobre as condições ambientais, arquitetônicas e urbanísticas da cidade, cujo resultado deverá ser divulgado em junho.

    Brasília, acredite, corre o risco, inclusive, de perder o título de “patrimônio cultural da humanidade”, devido a uma série de problemas, o que seria um vexame para todos nós, amante e profissional da Arquitetura, que amamos Brasília.

     Problemas que se acumularam, ao longo de sua história, desde a falta de manutenção e conservação de edifícios históricos até à ausência de um planejamento urbano, além da alteração do plano piloto inicial. O Palácio da Alvorada, por exemplo, onde pontifica atualmente a dama-camaleã Dilma, passou há pouco por ampla reforma devido a problemas de infiltração de água e rachaduras no concreto. Imagine o resto!

Entre outras questões problemáticas, enfim, analistas elencam as seguintes:

1)   A alteração do plano piloto original, com o surgimento de novos setores não previstos, fruto da especulação imobiliária;

2)   A construção de condomínios e hotéis na orla do lago Paranoá, obstruindo o acesso público e o layout da paisagem;

3)   A construção de puxadinhos, com bares e restaurantes, invadindo áreas verdes da cidade;

4)   Pilotis dos prédios das quadras cercados por grades  ou ocupados por estacionamentos:

5)   Blocos de edifícios com mais de quatro pavimentos, como estava previsto inicialmente;

6)   A transformação do eixo monumental, onde se encontram os Ministérios e a Catedral, num palco de protestos dos sem-teto, sem-terra dos sem-nada da sexta economia do mundo!

7)   O inchaço populacional de uma cidade ideal prevista para abrigar até 500 mil habitantes, mas que chega agora a receber mais de um milhão de pessoas nas horas de pico;

8)   Trânsito difícil, com ruas mal pavimentadas;

9)   O aumento da violência, principalmente nas cidades-satélites. Motivo: a disseminação do maldito crack, que atinge outras cidades brasileiras, além da Cracolândia, em São Paulo.

    A Brasília dos anos dourados quando surgiu a Legião Urbana, de Renato Russo ou quando domésticas reclamavam da falta de esquinas para poder namorar, com certeza não existe mais.

     Ao concluir, um desejo: oxalá, o lema de Brasília “venturis ventis”, aos ventos que hão de vir, não seja prenúncio de uma tempestade ou de tsunami, mas de uma bonança aos que hão de vir! José Wolfventuris ventis

ALCORÃO: Um insólito presente

Amiga Betânia, segue texto para possível publicação no seu eclético e festejado blog, Vamos aproveitar este espaço para homenagear os que estão lutando pela liberdade, como as mulheres muçulmanas. wolf

Pra começar, uma provocação: você já visitou alguma mesquita, para conhecer pelo menos a rica e polifônica arquitetura islâmica?

                                          Aproveitando, enfim, este espaço editorial do eclético blog, sob o comando da arquiteta-desinger Betânia, relato um fato inédito.

Ou seja: Vejam que inacreditável. Em plena Cracolândia, na Rua Guaianazes, no Centro de São Paulo, onde habito, uma comissão de muçulmanos acaba de instalar num antigo prédio uma mesquita. Ou um santuário de oração.

    Vindos de Marrocos, esses enigmáticos vizinhos, com suas túnicas brancas ou cinzas, me lembram dos tempos de seminarista, quando trajava batina. Com passos apressados, cruzam a rua, em meio a moradores de rua, ¨nóias¨ e catadores de papelão e edifícios cinzentos.

     Da janela da kitnete, onde vivo, costumo vê-los em suas orações, que me trazem à memória os rituais e liturgias das igrejas e capelas católicas, um programa arquitetônico, por sinal, tão esquecido pelos arquitetos, mas que já produziu projetos marcantes como a catedral de Brasília, de Oscar Niemeyer.

 Um dia desses, enfim, um muçulmano me ofertou um exemplar, em português (com tradução de Samir El Hayek), do Alcorão, o livro sagrado do Islã. Confesso que fiquei emocionado e agradecido, a ponto de lhe pedir uma dedicatória. Gentilmente, ele me atendeu, escrevendo: “ em nome de Allah, esta tradução do livro sagrado foi doada para Wolf, do sr. Said”.

    O insólito presente me abriu, afinal, uma nova janela de conhecimento, despertando-me a curiosidade, em nome da diversidade cultural,  para conhecer algo sobre o Islamismo e sua arquitetura, e, inclusive, sobre Marrocos, o distante país situado ao Noroeste da África, desenhado por antigos mercados. Mesquitas e monumentos, cujo território abriga o vasto deserto do Saara…

    Sobre Marrocos, na realidade, só me lembrava de um filme chamado “Casablanca”, do cineasta norte-americano Michael Curtiz, de origem húngara, locado justamente na cidade marroquina de Casablanca.ISLAMISMO

    Arquitetura  islâmica? Feita de arcos, pátios, abóbadas, pórticos, mirantes e uma rica linguagem decorativa rendilhada pouco conhecida pelo Ocidente, a exemplo da mesquita de Damasco ou de Santa Sophia, na Turquia, essa arquitetura, segundo o historiador Germain Bazin, em a “História da Arte”,  acabou inspirando o estilo gótico, além de inaugurar o sistema de construção com abóbadas.

 A destacar, ainda, sua rica decoração feita de tecidos, metais e filigranas de ouro , inspirada na fauna e flora da natureza.

   Sobre o Islamismo, devo confessar minha total ignorância. A propósito,  vale registrar a entrevista publicada pela revista Isto É (número 2210)  com o sociólogo norte-americano, de origem espanhola, José Casanova, na qual ele chama a atenção para “o processo de globalização do Islã”, frente à crise religiosa na Europa e à politização da religião em outros países, como nos Estados Unidos e, inclusive, o  mercanlismo de seitas obscuras explorando a fé de tantas pessoas da periferia..

    Para concluir, um pedido a Deus, Jeová ou Allah, neste momento de tantas intolerâncias pelo mundo, em pleno século XXI. Oxalá a tolerância e o respeito às divergências vençam os preconceitos, as discriminações e as restrições aos direitos de ser, fazer e pensar diferente, ã semelhança da arquitetura islâmica que soube, ao longo dos tempos, conjuminar estilos e estética tão diferenciada!  (abaixo: India Delhi JAMA Masjid)Mesquita

    Que a chamada “primavera árabe”, deflagrada em tantos países mulçumanos com a participação da mulher, que revelou sua nova face contra a submissão, mutiplique-se no Oriente e, inclusive, em vários países do Ocidente, como Cuba etc.!

José Wolf.

Wolf, veja os dois post na sequencia para te responder: Islamismo e Arquitetura da Mesquita em São Paulo. Aproveitando Wolf olha que fotos maravilhosas encontrei sobre a India. Delhi, um caso de amor, no Blog Fatos e Fotos de Viagem. Betânia

Cinquentenário da Semana de Arte Moderna

Oi, Betânia, vamos em frente que atrás vem gente. Continue mantendo seu blog como um canal alternativo de comunicação independente entre os arquitetos que estão na contramão da Arquitetura oficial e das revistas do Sul. Com um abração, wolf
 Arquitetura & Realidade

SEMANA QUE ABRIU AS PORTAS PARA A MODERNIDADE BRASILEIRA

Há 90 anos, acontecia em São Paulo, a Grande Semana de Arte Moderna. O evento, segundo os críticos, representou a carta de alforria de independência da cultura brasileira, ao se libertar do domínio cultural europeu, Evento que ocorreu no Teatro Municipal, projeto do engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo de 1911 que, por sinal, acaba de ser revitalizado.Semana de arte moderna

A Semana, na opinião do cineasta e crítico Arnaldo Jabor, acabou ao longo dos tempos, numa espécie de efeitos colaterais, fecundando movimentos e transformações culturais significativos, como a valorização do folclore popular, do barroco mineiro, da  tropicália, do cinema novo e, inclusive, da Arquitetura Moderna brasileira.

A Casa Modernista, de Gregori Warchavchik, de 1923, cujas linhas retas e racionalistas provocaram a ira de arquitetos acadêmicos da época, também só foi possível graças a esse sopro de renovação. Vale ressaltar que o folclore foi supervalorizado pela divina Janete Costa, autora do livro “Viva o povo brasileiro, ao incluir em seus projetos de interiores elementos da cultura popular nordestina. Sem medo de pecar, diria que as bijuterias feitas com fitas e miçangas de nossa amiga Betânia também estariam nessa cadeia de produção criativa.

A Grande Semana, enfim, reuniu expoentes intelectuais, entre os quais, o poeta Mário de Andrade, o principal articulador do evento, autor do emblemático Macunaíma, um herói sem nenhum caráter. Que, na interpretação de muitos, seria a tradução do caráter e índole do povo brasileiro caracterizado pela irreverência, sensualidade, malícia, indolência, malandragem e ingenuidade. Macunaíma, inclusive, foi tema de um filme produzido por Joaquim Pedro de Andrade, com participação do inesquecível Grande Otelo.Tatro municipal

O hit de sucesso “Ai, se eu te pego”, de Michel Teló, seria um reflexo atual disso, assim como foi o “Vira-Vira”, do Mamomas Assassinas. Ou o grito de guerra  “Teeresinhaaa”!do saudoso Chacrinha. Assim, como, foi a canção “Eu vou pra Maracangaia…”,  de Juca Chaves sobre JK e Brasília.. Ou, ainda, os filmes do “caipira “Mazzaropi¨, a exemplo do “Zeca Tatu” e “O corintiano”, que, apesar de marginalizado pela crítica, levou multidões aos cinemas. E, também, as coreografias do genial Paulo Barros, da Unidos da Tijuca, que deverá coreografar a solenidade de abertura da Copa de 2014…

Além de Mário, participaram da Semana, o poeta Menoti del Picchia, Oswald de Andrade, autor do polêmico “Paulicéia desvairada” e da peça “O rei da vela”, encenada, sob a a direção do iconoclasta  Zé Celso, nos anos 70 , pelo teatro Oficina. E Tarsila do Amaral, que depois de sua fase cubista e social, com “Pau brasil” e “Os operários”, inaugurou o movimento antrofágico brasileiro, a tradução mais perfeita, a meu ver, de nosso jeito de ser brasileiro.

Para concluir, invocaria o comentário do crítico Franklin de Oliveira, a respeito do cinquentenário da Semana, registrado na publicação A Grande Semana de Arte Moderna”, coordenada por Yan de Almeida Prado. Ou seja: ¨…a melhor maneira de festejar o cinquentenário (e, agora, os 90 anos) da Semana de Arte Moderna seria criar um novo Modernismo”, frente a um cenário cultural e arquitetônico atual tão carente, refém, ainda, de um mercado imobiliário movido pela especulação e estilos ¨tipo Miami!¨

José Wolf, São Paulo

Pra complementar este texto maravilhoso do meu amigo Wolf, veja os posts da minha amiga Patricia Cassemiro que cita o Chacrinha, um poste que fiz sobre a Janete Costa. 

Bjs Wolf e obrigada por esta leitura deliciosa. Betânia Sampaio